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O Vôlei Na Rede na cobertura da fase final da Liga Mundial 2010
 Diário de Bordo: Córdoba 2010 Por Guilherme Sundfeld Parte 7: 26/07/2010Bom, pelo menos no vôlei não tem pra ninguém. Itália, que um dia já pareceu inalcançável (quando tínhamos um título e eles tinham oito) está agora no nosso retrovisor. O TÍTULO DA LIGA MUNDIAL É NOSSO, PELA NONA VEZ! Espere aí, mas não foi assim que o dia começou... foi assim que terminou! O título vai ter que esperar até o final deste post para aparecer de novo. Bom, desta vez o dia começou um pouco mais cedo, pois às 10h da manhã já tinha que estar no ginásio para preparar o bate-papo com o oposto Wallace, que jogou com o Brasil em algumas oportunidades na fase classificatória, mas foi um dos dois cortados para a fase final. Às 11h em ponto começou o chat com ele, com pessoas do Brasil inteiro mandando perguntas para o que os internautas mesmo disseram ser uma nova promessa no vôlei brasileiro. O combinado era que ele ficaria conosco durante 30 minutos, mas ele nos concedeu mais dez minutos do seu tempo nos respondendo. Duas coisas que Wallace respondeu e que ocorreriam mais tarde: Bernardinho provavelmente manteria Marlon e o Brasil seria campeão. O bate-papo na íntegra vocês podem ler aqui. Durante o bate-papo com Wallace, a Rússia treinava no ginásio Orfeo Superdomo. Como não daria pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo, eu estava focado no site, mas de vez em quando dava uma olhada no treino. No início, nada de manchetão. Pelo visto, os russos não gostam de se divertir antes do treino. Após o treino dos nossos adversários, Bernardinho entra com quase todos os jogadores, exceto um. Leandro Vissotto não chegou a treinar com a seleção ontem e, enquanto os brasileiros estavam a caminho do ginásio, postou em seu twitter que infelizmente ficaria de fora da grande final, por conta da contusão que sofrera no tornozelo contra Cuba, no dia anterior. No treino foi brasileiro, o famoso manchetão foi agitado. Creio que pela ausência de Vissotto, outra pessoa teve que tomar seu posto. E qual não foi minha surpresa quando vi que esta pessoa foi exatamente Bernardinho? Não consegui ver quem ganhou ou quem perdeu, mas que foi divertido, isto foi. A parte final do treino foi claramente para dar ritmo de jogo a Théo e João Paulo Tavares, o primeiro que viria a ser titular na final e o segundo que teve uma chance de estar entre os 12. Terminado o treino, fiquei ainda com o pessoal brasileiro da imprensa que veio cobrir a Liga Mundial. O melhor da espera até a hora do almoço foi, sem dúvida alguma, bater bola com o Alexandre Oliveira, da SporTV, ao lado da quadra de jogo. Eu, há mais de uma semana sem encostar numa bola de vôlei e ele, segundo disse, há cinco anos sem fazer o mesmo... Para almoçar, um Burger King com a galera da imprensa brasileira, que vou citar novamente aqui nome a nome, pois foram sem dúvida os que me mais ajudaram em Córdoba, já que eu estaria sozinho se não fosse por eles. Como já citei ali em cima, o Alê, Barral e Igor, da SporTV, a Carol, que faz a parte de vôlei do globoesporte.com e também o blog Largadinhas e o Felipe, do Lancenet. O Burger King argentino me surpreendeu muito. É a primeira vez que como hamburger de uma rede em que o lanche que chega é do tamanho mostrado nas fotos. Após os almoço, eles voltaram ao ginásio, mas eu ainda tive que esperar pelo Rolo, que conheci no dia anterior, Shamira, Sofia e Javiera, todos chilenos, que me encontrariam para um café. Conversamos muito... sempre no portunhol, mas quando alguma dúvida surgia, um pulinho no inglês pra salvar a gente... Tirei uma foto deles na frente do ginásio e logo depois pedimos para alguém que passava tirar uma foto de todos no mesmo lugar. Mas olhem a diferença entre uma e outra... 
Chegamos um pouco atrasados, mas a tempo de ver o primeiro ponto do jogo entre Sérvia e Cuba, na disputa do terceiro lugar. Não acompanhei muito o jogo, pois fiquei rodando para tirar fotos, quando conheci mais uma leitora do site com quem tinha combinado encontrar quando saí do Brasil, mas só no último dia que consegui! Ela estava acompanhada de uma amiga, ambas de São Bernardo do Campo, e vieram para Córdoba especificamente para a fase final da Liga Mundial. É nessas horas que eu vejo que tem muita gente tão louca por vôlei quanto eu. Na chegada, recebo um papel para votar no MVP. Sempre tive curiosidade de saber como era a escolha e descobri... Os jornalistas votam, cada um, em três possíveis MVPs, cujas seleções deveriam obrigatoriamente estar na final ou disputa de terceiro lugar. Em quem votei? Vão ter que ler mais um pouquinho... Final, decisão, talvez superando pela primeira vez o número de títulos da Itália e muita tensão. Pelo menos foi isso que ocorreu em todo o ginásio e também com o pessoal que nos acompanhava e comentava conosco sobre o jogo no liveblogging. No jogo, Théo entrou muito bem no lugar de Vissotto também. Não consigo identificar quem é que comemorava mais ou mais falava durante o jogo. Dentro de quadra, é claro, todos muito animados. Mas no banco, impressionante o quanto todos falavam. Fossem palavras de apoio, dicas de como se posicionar em cada jogada ou simplesmente comemoração de pontos, Giba, João Paulo, Sidão, Thiago Alves e Bruninho não paravam um minuto. Bonito de ver, de verdade. A torcida brasileira deu um show à parte. Tirando o terceiro set, quando pôde-se ouvir russos gritando em apoio à sua seleção, apenas ouvia-se a torcida brasileira cantando, pedindo ace, apoiando um ou outro jogador, vaiando o saque adversário. Muito show mesmo.
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Ganhamos o primeiro set. Ganhamos também o segundo. No terceiro, apagão geral na seleção brasileira, perdendo por dez pontos de diferença. Síndrome do terceiro set. Receio de que pudessem abaixar a cabeça após serem derrotados com placar tão amplo, ainda mais quando começaram o quarto set perdendo. Mas se tem uma coisa que nunca vi, foi esta seleção abaixar a cabeça. Seja nas muitas vitórias que teve ou nas poucas derrotas. E desta forma, viramos o quarto set e o ginásio simplesmente explodiu. Eu não sabia o que fazer. Não sabia se tirava foto, escrevia no ponto a ponto ou apenas comemorava. Há dois anos, no Maracanãzinho, sonhava em ver a nossa seleção no ponto mais alto do pódio de perto, mas este sonho foi adiado e sequer os vi no pódio, já que terminaram na quarta posição.
Desta vez, tudo diferente. Vi ali de perto o peixinho, a alegria dos jogadores. Por duas vezes eles contaram UM... DOIS... TRÊS... QUATRO... CINCO... SEIS... SETE... OITO... NOVE e logo depois correram para o peixinho, nossa marca ao fim de um campeonato. N-O-V-E. Somos eneacampeões! Palavra que muitos provavelmente não conheceriam se não fosse essa seleção brilhante que temos. E claro, suas predecessoras, desde a geração de prata, passando pela geração de ouro e ainda pela geração que nos trouxe mais seis Ligas Mundiais, dois campeonatos mundiais, ouro e prata nas olimpíadas e tantos outros títulos que não caberiam em uma folha A4. Mas peraí... e a premiação?!?! Eu não acredito que vou ter que tirar foto de longe dessa premiação!!! E que ótimo que não acreditei. Tentei pedir ao segurança para me deixar entrar. Não pode, tem que estar usando colete. Com quem consigo o colete? Peça ao Sergio (um dos organizadores). Sérgio, tem como você me arrumar um colete? Hum... peraí que eu vou ver o que posso fazer por você. Ei, você pode tirar este colete e emprestar para o Guilherme (disse Sergio a um cinegrafista brasileiro)? Mas eu vou ter que sair? Não, você já está aqui dentro, pode ficar... é só pra ele entrar. Meus olhos brilhavam enquanto ele vinha com o colete para me entregar, tenho certeza. Tome o colete e agora você me deve uma cerveja. Não sei o que houve depois disso. Simplesmente apontava a câmera para todos os lados e tirava fotos para o site. Sei que a seleção entrou, fotografei. Subiram no lugar mais alto do pódio, fotografei. Receberam as medalhas, fotografei. Giba levantou a taça, fotografei. A taça passada de mão em mão, fotografei. Entrega os prêmios individuais praticamente toda para os russos, fotografei. Eles podem ter levado quase todas, mas aquele lugar em que subiam após receberem cada prêmio individual era nosso. Era o lugar mais alto do pódio. Melhor líbero... MÁRIO JUNIOR. Em sua primeira Liga Mundial, substituindo o MITO Serginho, que sofrera uma cirurgia. Na fase classificatória, jogou bem, mas nem perto do que Serginho fez na Liga Mundial anterior, quando foi eleito MVP. Na fase final... tenho dúvidas se Serginho não teria vindo a Córdoba e se fantasiado de Mário Junior. Impressionante a evolução do nosso novo líbero. Brilhante. Eu falei em MVP ali acima??? Ah é... tem o prêmio de MVP! Anunciam que vão dizer o MVP. Uma pausa de não mais que sete segundos que pareceu um ano. Meus votos? Em primeiro lugar, Murilo, em segundo Mikhaylov e em terceiro, Mário Junior. Murilo por ter sido perfeito durante toda a fase classificatória, ter sido muito importante na fase final, apesar de ter tido atuação discreta no ataque, mas ter sido perfeito no fundo de quadra. Mikhaylov por ter sido um monstro durante todo o campeonato, mas principalmente na semifinal contra a Sérvia, 21 pontos em três sets. Mário Junior por jogar sua primeira competição como titular da seleção adulta e ter se destacado tanto na fase final. O anúncio... Uma pausa entre avisar que iriam anunciar o MVP que deve ter sido em torno de cinco segundos, mas que pareceu um ano pra quem aguardava tanto aquele nome. Murilo. Acertamos na escolha do melhor jogador do campeonato. Assim como Mário Junior, nosso ponteiro levou muitos tapas na cabeça antes de ir buscar a placa e o cheque relativos ao prêmio. Depois disso, foto com todos os jogadores mais comissão técnica e até Julia, filha de Bernardo. Aquela famosa foto com o papel laminado voando, volta olímpica com todos os fotógrafos correndo atrás e entrevistas, entrevistas, entrevistas. Na coletiva de imprensa eu não fui, pois tinha muita movimentação na quadra e eu ainda tirava fotos.Após isso, hora de cair na real, baixar as fotos, fechar o computador e ter certeza que todos fizeram o melhor. Felicidade, é claro, por poder acompanhar este feito histórico brasileiro no mesmo palco onde fomos pela primeira vez campeões mundiais. Com certeza já vai ficando a saudade do Diário de Bordo que todos os dias escrevi e queria agradecer muito a quem teve a paciência de lê-lo, nem que tenha sido apenas uma vez.
Um grande abraço a todos e obrigado! Direto de Córdoba, Guilherme Sundfeld (
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