Com o coração renovado, Fábio Paes está pronto para brilhar no Montes Claros PDF Imprimir E-mail
News - Entrevistas
Dom, 20 de Junho de 2010 17:47

Por Luciana Gomes
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Com o sorriso de quem diz que nada é impossível, assim foi a entrevista do Vôlei Na Rede com o líbero Fábio Paes, que será o coração da equipe do Montes Claros na próxima Superliga. No auge de sua carreira como jogador, prestes a disputar o Mundial Juvenil com a seleção no ano de 2005, Fábio recebeu a notícia de que teria que abandonar definitivamente as quadras, mas o jovem e promissor atleta jamais deixou de acreditar que um dia voltaria a jogar profissionalmente, e assim, aos 25 anos está pronto para encarar mais um desafio em sua vida marcada pela superação, assumir a posição de uma das equipes com a torcida mais apaixonada do país, o Montes Claros.

Incentivado pela família, e especialmente por sua mãe, que jogava vôlei em Piracicaba, interior de São Paulo, Fábio iniciou a carreira em 1999, e em pouco tempo foi descoberto pelo técnico das categorias de base do E.C. Pinheiros. “Eu freqüentava muito o clube que minha mãe jogava, e o técnico de lá me indicou para jogar vôlei em outra cidade, Araras, e foi quando fui descoberto e acabei indo para São Paulo, onde joguei todas as categorias de base no Pinheiros, entre 2000 e 2004”, relembrou o jogador.

E foi justamente no Pinheiros que Fábio descobriu sua verdadeira vocação. “Foi lá que tive minha primeira oportunidade de disputar um campeonato brasileiro, representando o estado de São Paulo, e também quando tive minha primeira convocação para seleção de base, para disputar o sul-americano e mundial... foi um progresso muito positivo, e fico muito feliz por isso", disse.

E Fábio complementa demonstrando muita gratidão pelo ex-clube. “Tenho boas recordações do Pinheiros, tenho o clube como minha segunda casa, tenho muitos amigos que estão lá,  conheço desde o faxineiro até o diretor... me sinto muito bem, porque eles me deram a base que eu tenho até hoje”, afirmou.

Após defender as categorias de base do Pinheiros, Fábio aceitou o convite para jogar para o extingo Suzano, que na época contava com grandes nomes do vôlei brasileiro. “O Navajas era o técnico e foi minha primeira experiência no adulto, o time tinha André Nascimento, Murilo, Rodrigão... era um time estrelar, só com atletas de nome. Quando cheguei lá e me deparei com todo esse pessoal, um lugar que eu jamais imaginei chegar. De lá, fui para Ulbra, onde fiquei durante um ano.”

A DESCOBERTA

Foi ainda no Pinheiros, no ano de 2002, durantes exames de rotina, que Fábio descobriu um problema no coração. “Acabei descobrindo meu problema em um exame, uma hipertrofia do ventrículo esquerdo. Muitos atletas têm essa pequena hipertrofia, por conta do trabalho que exige muito do nosso físico.”

Apesar de controlar o problema durante algum tempo, em um momento de ascensão profissional, e as vésperas de disputar o Mundial com a seleção juvenil, Fábio recebeu um verdadeiro ‘balde de água fria’, com uma notícia que poderia significar o fim de sua vida como atleta. “Quando me apresentei na seleção juvenil, fizemos alguns exames, e foi quando acabei sendo liberado da seleção, antes do Mundial de 2005. O médico da seleção me disse claramente que eu não poderia mais jogar vôlei.”

Após a bomba, Fábio poderia ter desistido do vôlei frente as dificuldades que teria que enfrentar. Foram dois longos anos afastado das quadras, mas ele nunca deixou de acreditar que um dia voltaria. “Em nenhum momento da minha vida pensei que iria parar de vez, acreditava todos os dias que poderia sim voltar a jogar, nunca deixei de acreditar nessa possibilidade”, enfatizou.

A VOLTA POR CIMA

 Com o diagnóstico do médico da seleção juvenil, Fábio ficou em casa durante um ano apenas realizando exames de rotina de três em três meses, sem exercer nenhuma atividade física, porém, com a esperança de um dia voltar a jogar. “Depois desse tempo, eu disse para mim mesmo que iria tocar a minha vida, e voltei a estudar. Fiz um ano e meio de faculdade de Educação Física em São Paulo, onde além de estudar também treinava na faculdade, disputando campeonatos brasileiros com a universidade, além de treinar no Pinheiros, onde também realizava um pequeno estágio com a comissão técnica”, contou.

“Refiz meus exames na metade de 2008, e meu médico me disse que não sabia o porquê, mas que eu estava super bem, e que poderia voltar a jogar. Na ocasião, eu estava treinando com o time do Minas, que estava disputando o Paulista pelo E.C. Pinheiros, onde o técnico Mauro Grasso me chamou para fazer parte da equipe na disputa da Superliga 2008/09, mas acabei aceitando o convite do Vôlei Futuro, por ter mais chance de entrar em quadra, mostrar meu trabalho e retornar ao mercado do vôlei”, explicou o jogador feliz por nunca ter desistido de seu sonho e objetivos profissionais. “Hoje estou muito bem, todos meus exames estão ótimos, e posso dizer claramente que estão sob controle, sem contar que estou com o melhor especialista da área no Brasil, o Dr. Nabil Gorayeb."

A FORÇA DOS AMIGOS

Fábio conta que a força dos amigos foi fundamental em sua recuperação. “Em Araçatuba, certa vez no vestiário, o Léo, que estava na Cimed na última temporada, pediu para falar, e agradeceu por eu estar lá, estávamos de mãos dadas, e depois de tudo que eu passei, nesse jogo eu desabei, chorei que nem criança, pois vi o carinho de uma pessoa que me conhecia há pouco tempo. Hoje eu encaro a vida nos pequenos detalhes, vejo que cada momento é muito importante, e é um momento de aprendizado. Hoje vejo o sucesso de amigos, como o Thiago Alves, que era o capitão da seleção juvenil na minha época, parceiro de quarto, e hoje está na seleção adulta, além de amigos como o Lucas, o Wallace... fico muito feliz pelo sucesso deles, e sempre que posso faço questão de prestigiá-los”, revelou o jogador, que durante todo o tempo também contou com a força e o apoio de sua amiga e também anjo da guarda, Denise Guedes, que sempre apoiou e torceu muito pelo amigo de longa data.

 

Feliz com o retorno, Fábio disputou a última temporada vestindo a camisa da recém-criada equipe do SESI-SP, comandada pelo técnico Giovane Gávio, conquistou os títulos da Copa São Paulo, e Campeonato Paulista 2009, e apesar de ter sido reserva do líbero Jeffe, teve a oportunidade de entrar em quadra na grande final da competição. Agora Fábio quer mais, e foi justamente essa vontade de mostrar o seu trabalho, que acabou aceitando um convite e um grande desafio para a temporada 2010/11.

 

“O convite para defender o Montes Claros surgiu logo após a final da Superliga passada, o Vitor (Diretor do clube) veio falar comigo pessoalmente, e disse que queria que eu estivesse na equipe dele na próxima temporada. Minha expectativa é a melhor possível, estou indo para uma equipe com uma ótima comissão técnica, e excelente estrutura, isso me deixa muito tranquilo, sem contar que estarei ao lado de amigos que conheço de longa data, e que já jogaram comigo em outros clubes”, afirmou.

TORCIDA ESPECIAL

Fábio tem consciência da força da torcida do clube mineiro, e espera representar bem o time nas próximas competições. “A torcida do MOC é mais que especial, é uma torcida presente, que está sempre com o time, e isso não tem preço que pague. Serão momentos especiais que estarei vivendo dentro da cidade, estou indo pro time para somar, e ajudar na conquista dos principais títulos, estarei fazendo isso com muito amor e paixão, por tudo que passei durante minha trajetória de vida e aprendizagem como pessoa”, explicou.

SELEÇÃO

E o menino que saiu do interior para a cidade grande, enfrentou um problema de coração, deu a volta por cima, hoje sonha sim com a seleção adulta, e vê na disputa da próxima Superliga a oportunidade de mostrar o seu trabalho. “Quando menino, nunca pensei que poderia chegar na seleção de base, eu era muito ‘bobinho’, e claro que vejo que ainda tenho muito que aprender. Estou indo para MOC para aprender e vivenciar cada momento dentro e fora de quadra, e almejo muito, como qualquer atleta chegar à seleção. Já tive esse ‘gostinho’, e sei como é bom representar o país, vou trabalhar e ralar muito, e quem sabe realizar mais esse sonho”, finalizou.

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